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Manual de criar ternuras, de Joelma Vasconcelos, é um convite sensível para desacelerar o olhar e reaprender a habitar o mundo. A obra se constrói como um conjunto de gestos poéticos, instruções improváveis e exercícios de imaginação que recusam a lógica da produtividade e apostam na experiência íntima, frágil e afetiva do cotidiano. Cada texto funciona como um pequeno rito de aproximação entre o corpo, a memória e o que há de invisível nas coisas que consideramos simples.

O retorno à infância aparece não como nostalgia, mas como possibilidade ética e estética. A infância aqui é território de invenção, onde o erro é permitido e o absurdo é fértil. Como a poetisa e ensaísta Louise Glück diz “Nós olhamos para o mundo uma vez, na infância. O resto é memória”, o livro parece operar exatamente nesse intervalo: reativar esse primeiro olhar, não para recuperar o passado, mas para reinventar o presente a partir dele.

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